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Olhar

Edema malar: por que nem todo inchaço abaixo dos olhos melhora com blefaroplastia

Bolsa de gordura e edema malar não são a mesma coisa. A Dra. Fernanda Zorzin explica a diferença e por que a blefaroplastia nem sempre resolve.

Dra. Fernanda Zorzin03-08-20266 min de leitura

Mulher madura com aparência natural, ilustrando a diferença entre bolsas e edema malar na região abaixo dos olhos.

Revisado clinicamente por Dra. Fernanda Zorzin (CRM-DF 20726 · RQE 12461), Plástica Ocular (Oftalmologia Plástica e Reconstrutiva) · Publicado em 03 de agosto de 2026 · Tempo de leitura: 6 minutos

O que muda a consulta

A cena se repete no consultório. A paciente senta, aponta para a região abaixo dos olhos e diz a frase que já ensaiou em casa: "quero tirar essas bolsas".

Talvez você também já tenha ensaiado essa frase em frente ao espelho.

Mas antes de falar de cirurgia, a Dra. Fernanda observa uma coisa que muda o diagnóstico: onde exatamente está esse inchaço. Porque bolsas de gordura e edema malar podem parecer iguais no espelho, mas ficam em regiões diferentes do rosto, e é a localização que separa um do outro.

Confundir os dois é o caminho mais curto para uma cirurgia que não resolve o incômodo. Neste artigo, você vai entender essa diferença e o que ela muda na conduta.

Dois andares, dois problemas

A região abaixo dos olhos tem uma fronteira que a maioria das pessoas nunca ouviu falar: o rebordo orbitário, o osso que contorna o olho. Pense nela como a divisa entre dois andares do rosto. O que acontece em cada andar é um fenômeno diferente.

No andar de cima, as bolsas. A gordura que envolve o olho avança quando as estruturas de sustentação da pálpebra enfraquecem com o tempo. Ficam na pálpebra, acima do rebordo, e tendem a ser estáveis: o volume é parecido de manhã, de tarde e de noite. São o alvo clássico da blefaroplastia inferior.

No andar de baixo, o edema malar. Aparece sobre a maçã do rosto, abaixo da pálpebra, em um espaço anatômico chamado pré-zigomático, delimitado por ligamentos que funcionam como muros. Em vez de gordura, é um acúmulo de líquido. A drenagem dessa região é naturalmente vulnerável, e a literatura chega a descrever os festoons como uma "esponja de fluido".

A localização é o que define de fato: bolsa fica na região da pálpebra, edema malar fica mais abaixo, sobre a maçã do rosto. Há ainda um sinal de apoio: como o edema malar é líquido, o volume tende a variar ao longo do tempo, enquanto a bolsa de gordura costuma ser mais estável. Mas quem separa um do outro, no exame, é a localização.

Um espectro, não uma coisa só

A literatura descreve as alterações da região malar como um espectro. Começa no edema malar, em que o líquido predomina e o volume varia. Passa pelo malar mound, uma elevação mais persistente. E chega ao festoon, a forma mais estruturada, com redundância de pele e músculo. Há ainda casos presentes desde cedo, de provável origem congênita, diferentes dos adquiridos ao longo da vida.

Fatores que favorecem a retenção de líquido podem influenciar o quadro. A literatura e a American Academy of Ophthalmology citam distúrbios da tireoide e alergias. Na prática clínica, sal e álcool também aparecem associados à flutuação do volume.

Por que a blefaroplastia nem sempre resolve

Aqui está o ponto central deste artigo, e é a literatura quem afirma: a blefaroplastia inferior tradicional não trata festoons e edema malar. Eles vivem no andar de baixo, e a cirurgia atua no andar de cima.

Há um detalhe ainda mais contraintuitivo. A literatura registra casos em que o festoon fica mais aparente depois da blefaroplastia, porque a gordura removida da pálpebra deixava o contorno mais uniforme e disfarçava a elevação logo abaixo. A paciente opera esperando resolver, e passa a notar exatamente o que a incomodava.

Quando existe indicação de tratar um festoon estruturado, o planejamento pode precisar ir além da blefaroplastia convencional, abordando a junção entre pálpebra e bochecha e a região média da face. E mesmo assim a literatura é honesta: é uma condição persistente, que pode exigir acompanhamento de longo prazo. Prometer correção simples seria faltar com a verdade.

A pérola do preenchimento

Um dado que poucas pacientes conhecem: o edema malar também pode ser desencadeado ou agravado por preenchimento com ácido hialurônico na região, segundo a American Academy of Ophthalmology. O material pode comprometer a drenagem de líquido local e gerar um inchaço que vai e volta, às vezes meses depois da aplicação.

É mais um motivo para a investigação vir antes de qualquer conduta: o histórico de procedimentos faz parte do diagnóstico.

Como a avaliação diferencia

Na consulta, a Dra. Fernanda avalia primeiro a localização do volume, se está na região da pálpebra ou mais abaixo, na região malar. É esse o critério que separa bolsa de edema malar. Em seguida entram a consistência, o comportamento do volume ao longo do tempo e o histórico, incluindo procedimentos anteriores. A literatura descreve ainda manobras simples de exame, como o teste de contração dos olhos, que ajuda a caracterizar o componente muscular do quadro.

É o mesmo método que usamos para separar as quatro causas do olhar cansado: examinar antes de indicar.

É essa investigação que define o caminho: blefaroplastia, outra abordagem, uma combinação, ou nenhum procedimento neste momento.

Em resumo

O que separa os dois é a localização: bolsa é gordura na região da pálpebra, edema malar é acúmulo de líquido mais abaixo, sobre a maçã do rosto. Como sinal de apoio, a bolsa tende a ser estável e o edema malar tende a variar de volume. A blefaroplastia trata as bolsas; o edema malar e o festoon costumam persistir após a cirurgia tradicional e pedem outro planejamento. Preenchimentos anteriores na região entram na investigação. E o diagnóstico, feito em consulta, vem antes de qualquer decisão.

Perguntas frequentes

O que é edema malar?

Edema malar é o acúmulo de líquido na região da maçã do rosto, logo abaixo da pálpebra inferior, em um espaço anatômico com drenagem naturalmente limitada. Diferente das bolsas de gordura, o volume tende a flutuar ao longo do dia.

Como sei se o meu caso é bolsa ou edema malar?

O que separa os dois é a localização: a bolsa fica na região da pálpebra e o edema malar fica mais abaixo, sobre a maçã do rosto. Só o exame clínico define com segurança.

O edema malar piora e melhora sozinho?

Pode variar. Por ser um acúmulo de líquido, o volume tende a oscilar, diferente da bolsa de gordura, que costuma ser mais estável. É um sinal de apoio, mas o critério principal é a localização.

Fiz blefaroplastia e o inchaço continuou. É normal?

Se o inchaço era edema malar ou festoon, a literatura mostra que ele não é tratado pela blefaroplastia tradicional, e em alguns casos fica até mais aparente. Vale reavaliar o diagnóstico.

Preenchimento pode causar esse inchaço?

Pode contribuir em pacientes predispostas, segundo a American Academy of Ophthalmology, por comprometer a drenagem de líquido da região. O histórico de procedimentos faz parte da investigação.

A blefaroplastia transconjuntival serve para edema malar?

Não. Ela é indicada para casos selecionados de bolsas de gordura sem excesso de pele. Edema malar é outra condição, em outra região.

Preciso de cirurgia?

Não necessariamente. Parte dos casos não tem indicação cirúrgica. O primeiro passo é sempre o diagnóstico.

Onde encontrar esse cuidado em Brasília

A Bella Vita Estética Integrada fica no Lago Sul, em Brasília. A Dra. Fernanda Zorzin atende ali os casos de plástica ocular, da avaliação do olhar à blefaroplastia.

Se o seu incômodo é um inchaço abaixo dos olhos, observe onde exatamente ele fica: na região da pálpebra ou mais abaixo, sobre a maçã do rosto. Leve essa observação para a consulta. Ela já é o começo do seu diagnóstico.

Agende sua consulta com a Dra. Fernanda Zorzin

Fontes

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  • Potter JK, Wojno TH. Lower Blepharoplasty, em Essentials of Aesthetic Surgery. Teste de contração e limites da blefaroplastia tradicional.

Conteúdo baseado em evidências científicas e na experiência clínica da Dra. Fernanda Zorzin (CRM-DF 20726 · RQE 12461), plástica ocular. Não substitui avaliação médica individual.

Este texto é informativo e não substitui a consulta. A indicação de qualquer procedimento depende de avaliação médica individual.

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Todo plano de tratamento começa pela consulta.

A consulta é o momento de entender a sua história e desenhar um plano que respeite o seu tempo. Sem protocolo pronto. Feito para você, na sua fase atual.

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